domingo, 31 de julho de 2011

Momentos inesqueciveis #2

No ano de 1980 Francisco Sá Carneiro é nomeado Primeiro-Ministro em Janeiro e morre dia 4 de Dezembro num acidente trágico de aviação, John Lennon é assassinado por MarkDavid Chapman, assiste-se à primeira transmissão regular a cores de Televisão em Portugal através da RTP, Alfred Hitchcock recebe das mãos da Rainha Elizabeth II a Ordem do Império Britanico e morre quatro meses depois por insuficiência renal, é editado o primeiro número da primeira revista mensal do Mickey publicada em Portugal lançada pela Editora Morumbi e as salas de cinema enchiam para assistir ao novo fime da saga STAR WARS – O Império Contra-ataca.

Em Minde, a Casa do Povo e o seu grupo de teatro levavam a palco um grande sucesso: a revista "O Zé tá de tanga" e para o efeito pediram a colaboração do CBESM, vulgo a nossa creche. Depressa se reuniram e ensaiaram um grupo de 4 meninas que, envergando pavorosos tules e maillots, dançavam (des)coordenadas e faziam playback, tentando imitar as Spyce Girls da época: as inigualáveis DOCE.
Consequência dos vários e insistentes ensaios, a actuação decorria com alegria e empenho e fazia as delícias de um público que trauteava "fecha a porta, apaga as luzes, vem deitar-te a meu lado...", até que a Doce da esquerda se engana e resolve sair do palco a meio da música. A Doce da direita não foi de modas e seguiu-a sem questionar. O público riu quando estas duas Doce mais distraidas voltaram ao palco, com cara de "Fiz merda".
Ultrapassado este pequeno precalço e porque tudo se releva a uma criança de 5 anos, a actuação
foi um sucesso e não condicionou nem deitou por terra o futuro artístico das 2 Doces que, ainda hoje, 30 anos depois, são duas pérolas do panorama artistico do Ninhou. (Que frase maravilhosa!...)

Conseguem advinhar quem são?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

No Parque da Belavista - Parte II

Não há nada melhor que uma reinspecção da Câmara às dez para o meio-dia. Está tudo em ordem e siga para bingo que o grupo dos 12 doutores e doutoras têm de ir almoçar.

As montagens do palco dos Bon Jovi avança a olhos vistos e aos poucos começa-se a perceber o porquê dos 94 camiões TIR de tralha que os senhores trazem.



Quando vi isto, por uns instantes, pensei que tinha morrido e ido para o céu...
Depois, e porque não são só os doutores da Câmara Municipal que almoçam, fui até ao centro da cidade. E é por isto que eu adoro a capital: dobramos uma esquina e pumba! somos surpreendidos. Já vi a Lion Parade em Munique há uns anitos e a Cow Parade aqui em Lisboa, lembram-se?, mas estava longe de vir a encontrar em plena Av. Duque D'Avila, ao Saldanha, a Snoopy Parade. Que giro!
Snoopy da Anna Westerlund.
Snoopy de Graça e Gracinha Viterbo.Snoopy de Nuno Markl e Ana Galvão
Snoopy da equipa das manhãs da Rádio Cmercial (Markl, Pedro Ribeiro, Vanda Miranda e Vasco Palmeirim)
Este já não me lembro...
Snoopy de Herman José.
E, o meu preferido, o Snoopy de Mariola Landowska que eu não sei quem é e não me apeteceu ir perguntar ao Google. Entre muitos outros.




E agora mudando de assunto:

Quem é que diz que tem um trabalho lixado, quem é?!....

quinta-feira, 28 de julho de 2011

No Parque da Belavista

Hoje estive no Parque da Belavista onde os preparativos para o concerto de Domingo dos Bon Jovi avançam a olhos vistos.
Estive que tempos à espera dos meus dignissimos camaradas doutores e doutoras da Câmara Municipal de Lisboa, departamento de protecção civil e saúde pública, para fazerem a vistoria aos nossos estabelecimentos. Vêm aos bandos, de dez ou doze, com pasta debaixo do braço e sem pressas mas com vontade de implicar com tudo e mais alguma coisa ainda.
"- Este chão...com estrados mas com alcatifa por baixo...como é que o vão lavar à noite?
- O evento é só um dia. No final os estrados são lavados e a alcatifa vai fora.
- Ah, ok.
- Estas bancadas têm algum pó...E estas folhas das àrvores?

- Caíram das àrvores...
- Mas não deveriam estar aqui.
- É normal, estamos ao ar livre e isto está cheio de àrvores, mas o concerto é só Domingo, não vale a pena limpar já, sujam-se outra vez...as folhas estão sempre a caír...sabe...
- Pois, pois...
- E o exaustor onde está?
- Não é necessário, pois não? É que estamos ao ar livre...
- Pois, pois..."
E depois de estar 2 ou 3 horas à espera que se dignassem a vir inspeccionar-me, eis que chega o meio-dia e o grau de exigência cai a pique. Subitamente está tudo bem e abandonam a tarefa imediatamente "que não me pagam para mais!"
Mesmo assim tenho de lá voltar amanhã outra vez...
Que falta de pachorra para este funcionalismo público do "moe almas", do "queima tempo" e do "são precisos 12 para fazer o que podia fazer 1".

PENSAMENTO ERUDITO DO DIA

As bandas de rock não têm cantores, têm vocalistas. Consequentemente, não cantam, vocalizam (como as baleias, portanto...).

Atenção gajedo! - Novidades Princess Pea.

A Princesa Ervilha tem dado ao chinelo e tem algumas novidades. T-Shirt 100% algodão da Alice in Wonderland da Rachel Caiano.
Camisola em algodão com uma fada da Bela Adormecida da Eunice Rosado. "You will sleep for an hundred years" - é o que diz...
Blusa de cavas em viscose/algodão com a Princesa e a Ervilha da ilustradora Teresa Lima
Mais uma vez a Alice da Rachel Caiano, desta vez numa blusa kimono em viscose/algodão.
Uma t-shirt em algodão com uma ilustração também da Rachel Caiano, mas desta vez de um conto português da Sophia de Mello Breyner, a Menina do Mar. - Linda!!!!!
Destas já tenho uma para mim: blusa kimono em viscose com o Capuchinho Vermelho na frente e o lobo mau nas costas. "Who's affraid of the big bad wolf?", da Carla Nazareth.

Depois para bébé...


Camisola de malha em 100% algodão organico, com a já conhecida ilustração dos 3 porquinhos da Natalina Cóias.
a href="http://2.bp.blogspot.com/-JWRgmW-HMCg/TjEM0ZitbkI/AAAAAAAAAa0/H9pWOOzCZ04/s1600/Bb001B-ER1-Wh.jpg"> A Bela Adormecida da Eunice Rosado numa T-shirt de bébé de manga comprida.
Esta manga curtinha do Capuchinho e Lobo mau também da Natalina Cóias
As fadinhas da Bela Adormecida, again...
E finalmente este colete delicioso de bébé, em malha de algodão orgânico, com o Pinóquio do Paulo Galindro.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #6

No preciso instante em que o Acácio caiu ao poço, Adosinda iniciou a reza do cobranto.
Escolhia sempre a primeira hora da manhã, quando a única companhia eram os dois velhos galos da capoeira que davam as boas vindas ao Sol, para limpar das vidas dos outros os encostos e maus olhados que os atormentavam.
Já com a tigela de água à sua frente, mergulhou o dedo pingando de azeite e murmurou "três to deram, três to hão-de tirar..." e continuou a ladainha sem produzir qualquer som, abstraída na responsabilidade da tarefa.
Uns segundos depois concluiu em voz alta - Carregadinho! Eu bem me parecia que aqui havia dedo de gente má!
Pôs o chapéu de palha na cabeça e saiu apressadamente de casa.
Acácio acordou quase instantaneamente.
Devia ter perdido os sentidos apenas por alguns momentos. Tentou levantar-se da posição estranha em que tinha ficado, completamente desorientado e ainda sem perceber o que lhe tinha acontecido.
Uma forte dor na perna esquerda obrigou-o a cair de novo no chão do poço.
Olhou para cima, onde muito longe se via já a luz do dia e percebeu finalmente onde estava.
Sim senhor, pensou, é o que dá as pressas e saires ainda de noite. Tivesses esperado que o dia amanhecesse e não estavas agora no fundo do poço do Zé Figas. Graças a Deus que não tinha água, senão eu, que nunca aprendi a nadar, estava agora em maus lençóis.
Só depois de formular este primeiro pensamento lhe ocorreu que os lençóis em que estava não eram muito melhores.
E agora? Quem me há-de tirar daqui?
Tentou de novo mexer-se e compreendeu que tinha de certo a perna partida.
Procurou uma posição mais cómoda e ajeitou o corpo dorido contra a parede do poço, pensando quanto tempo levaria até que alguém o encontrasse naquele lugar ermo.
Farto de olhar para cima à procura de sinal de vida à superfície, começou a olhar à sua volta e deu com os olhos num saco de retalhos de pano à sua frente, meio escondido por terra e folhas secas.
Olá! Que é isto?

AGRICULTURA BIOLÓGICA?...



Adoro ir à horta do meu pai buscar legumes cultivados por ele!
Este ano tem tido coisas espantosas, couves lombardas, coração de boi, roxas, bróculos, feijão verde, cenouras, cebolas, alhos, alfaces, tomates, pepinos, abóboras de comer e de brincar ao haloween, morangos... Enfim, é como ir ao mercado e trazer um cesto cheio de frutices.
Até se lembrou de semear uns girassois só pela piada. Mas, como ele diz, vieram com os painéis solares avariados. Ou então aquilo de os girassois se virarem sempre para o Sol é tudo treta e eles limitam-se a ter um comportamento de rebanho quando crescem todos juntos.
Gosto muito de ir lá apanhar coisas da terra. É tudo fresquinho e biológico... um bocadinho biológico demais para o meu gosto.
Hoje estive 20 minutos a lavar esta couve lombarda. Imaginem, em cada refego, cada preguinha da couve havia milhões de bichinhos, ovos, larvas, lagartas.
Bolas! Volta Nitrato do Chile, estás perdoado!...

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #5

Madalena chegou mesmo a tempo do jantar. Galinha caseira, deliciosa, feita no velho forno a lenha da cozinha da casa da quinta, arroz de miúdos e uma salada mista cujos legumes tinham um sabor impossível de encontrar nos supermercados da capital. As conversas atropelavam-se durante o jantar, tal era a vontade das duas irmãs porem em dia os acontecimentos da vida uma da outra. Maurício escutava-as em silêncio e sorria com ternura ao observar o entusiasmo e a alegria da mulher. As crianças também estavam mais calmas que o habitual talvez pela curiosidade suscitada pelas histórias de Lisboa da tia Madalena. No fim do jantar, enquanto as crianças se deliciavam com as maravilhas da tecnologia depositadas numa PlayStation acabadinha de chegar pelas mãos da tia, os adultos tomaram um café de cafeteira no alpendre da casa. Madalena fumou um cigarro com uma tranquilidade e um prazer que já não sentia há muito. A vida dera-lhe tudo, mas quem tinha tudo era Mariana: tinha um marido que a amava profundamente, tinha filhos, tinha uma profissão que gostava e sobretudo tinha alegria, realização e paz na sua vida. Isso deixava-a feliz. Nunca iria esquecer o travo amargo e o sentimento de culpa com que voltava ao orfanato sempre que visitava a irmã. - “Eu tenho tudo e a minha irmã não tem nada”. Afinal, a vida encarregara-se de por tudo no seu devido lugar e o que permanecia sem nexo era a sua própria vida.

No dia seguinte, logo pela manhã, depois de um vigoroso pequeno-almoço e de acompanhar a irmã na entrega dos sobrinhos na escola, Madalena e Mariana selaram dois cavalos e foram dar uma volta pela propriedade. A quinta era enorme e assim cultivada e repleta de árvores de fruto era um regalo para a vista. No extremo norte passava um riacho onde aproveitaram para dar de beber aos cavalos e conversar um pouco. Mariana nunca gostara de Pedro. “Não é homem para ti, minha irmã. Demasiado engraxadinho mas pouco verdadeiro!” – O desenrolar da vida viria a dar-lhe razão.
Envolvida nos seus pensamentos e com os olhos no horizonte, Madalena deu-se conta de algo completamente improvável naquela paisagem. No cimo de uma colina, não muito longe dali, erguia-se uma tenda mongol, branca e imponente que contrastava com o azul do céu que lhe servia de fundo. Cá fora avistava-se o que parecia ser um estendal onde baloiçavam várias peças de roupa, todas brancas. A tenda mongol estava rodeada de inúmeras árvores plantadas com rigor aritmético e em cada árvore pendia uma etiqueta. Madalena pode ainda observar um casal de cegonhas que repousavam no ninho no cimo de um grande mastro ali colocado para esse efeito. O cenário era demasiado insólito para que Madalena pudesse ficar indiferente. –“O que é isto Mariana? – perguntou sem tirar os olhos do horizonte.
- Isto é o sítio do Guerlain.
- Quem?
- Guerlain. Um belga estranho e enigmático que se instalou aqui há uns dois anos. Ninguém sabe ao que veio nem o que faz. Vive aqui assim, sem luz, na companhia destas duas cegonhas que chegaram com ele, e dizem que fala com os anjos. Ou melhor, há quem diga que ele próprio é um anjo.
Madalena ficou intrigada mas não perguntou mais nada. Limitou-se a observar o acampamento mais uns instantes. No regresso a casa ainda passaram pela herdade contígua para cumprimentar os vizinhos e, após muita insistência, acabaram por lá almoçar. O resto do dia correu calmo e sem sobressaltos, dando mesmo para umas horas de leitura à sombra do velho carvalho que se erguia junto ao alpendre da entrada da cozinha. Madalena agradecia esta paz a cada minuto. Era mesmo isto que estava a precisar: paz, sossego, um tempo só consigo, não pensar rigorosamente em nada. Só a curiosidade em relação ao belga e ao seu acampamento lhe inquietavam o espírito. – “Amanhã terei de ir observar aquilo tudo melhor. E quem sabe…ver o próprio anjo…”

Esta noite...

...fui completamente devorada delas melgas. Eram tantas e estavam tão esfomeadas que não me deixaram outra alternativa senão tapar-me completamente até ao pescoço. Mas pensam que elas desistiram?! Nããã! Morderam-me o lábio, as putas e deixaram-me neste estado.

E logo hoje que eu tinha 2 sessões fotograficas demanhã, um desfile depois do almoço, uma sessão de autografos ao final da tarde e um jantar de beneficiencia.
Desmarquei tudo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Hoje a minha corrida...

...foi uma treta.
Devia ir eu p'raí no kilometro 2 quando se acaba a bateria do mp3. Bolas! E esteve ele toda a tarde ligado ao computador, juro que não percebo!
Correr sem música é deprimente! Ainda não ía a meio do percurso por isso, voltei para trás.
Como cada 100 metros sem música equivalem a 100 kilometros, feitas as contas, hoje corri 202 kms.
Mas não só, também comi 12.765 amoras (e que boas que elas estão a ficar: pretas e gordas!) e 3 figos verdes. Agora vou a TN buscar a minha sobrinha e vai tudo ao McDonald's!
Yuuuppppiiiii!!!
Calorias à brutaaaaa!!!!!!
Pergunto-me se esta história das férias vale mesmo a pena...
A gente mata-se a trabalhar na semana antes de sair porque toda a gente quer fazer tudo "antes da dra. ir de férias"...
Depois a gente volta e mata-se a trabalhar porque as coisas se acumularam na nossa ausência...
E no meio só estão 3 ou 4 dias em que não pensamos no que deixámos e ainda não estamos a pensar no que que nos espera.
Não sei se compensa...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Hoje, na Antena 1...

...no programa Nós Vencedores, poderão ouvir o testemunho aqui da jóia, às 18:55.
A entrevista também pode ser ouvida posteriormente aqui onde diz "audios do programa" do lado direito.

E não vale a pena virem com a treta do "mas onde é que raio ela é uma vencedora?", eu também sei que não sou e avisei a Sónia disso mesmo. Mas como os ouvintes não me conhecem...deixá-los ficar na ilusão.
;-)

domingo, 24 de julho de 2011

Ai é?! Pois agora quem não quer sou eu!

"Caros(a) Concorrentes,

O mail que receberam no dia 17, congratulando aqueles que passaram à 3ª Ronda, foi enviado por engano, a todos os Concorrentes que participaram na 2ª Ronda.
No entanto, a informação correcta, a ser tida em conta como Resultado oficial é a veiculada no mail de dia 15 de Julho passado.
Em meu nome, responsável pela necessária alteração da base de dados que permite o envio de mensagens aos destinatários desejados, apresento as minhas mais sinceras desculpas por este erro.

Cumprimentos,
Pedro Rosa."


Tudo bem caro amigo Pedro Rosa.
Mas daqui a 2 dias escusa de vir com a conversa que foi engano e que afinal me querem dar 60.000 € e me querem dar apoio institucional ao projecto e patati patatá.
Agora já não quero ser mais.
Não se brinca assim com as emoções de uma mulher...
E além disso não suporto gente desorganizada!
(até parece...;-)

Parece que morreu.

Andava a pedi-las há que tempos.

sábado, 23 de julho de 2011

Swallowed In The Sea

Ele há dias que começam bem. Em que sorrimos por tudo e por nada e o mundo parece mais brilhante e colorido que habitualmente. Dias em que nos sentimos quentinhas por dentro. Enfim, cenas de gaja...
Hoje vou à praia e ser swallowed in the sea.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #4

A quinta era a forma pomposa como Mariana gostava de se referir á propriedade de 16 hectares que o Zé Figas deixara ao filho Maurício quando faleceu.
A terra estava abandonada quando, numa tarde de Julho em que o calor partia pedras, Maurício e Mariana entraram nela pela primeira vez, vindos do funeral do Zé Figas.
O portão estava enferrujado e ninguém sabia da chave do cadeado que ligava a corrente que se enrolava à volta da fechadura partida. Maurício tivera que deitar o portão ao chão. É a primeira coisa que temos que arranjar, dissera a Mariana.
A erva crescia por todo o lado, já ninguém ali ia há três anos, tempo que durara a doença do Zé Figas.
Maurício tinha sido um aluno médio e nunca teve pretensões académicas. Acabou o 12º ano no liceu de Abrantes e voltou para a terra, Tramagal, onde conseguiu emprego num banco. Vivia no Tramagal e raramente ia à velha casa que fora dos avós.
Tinha conhecido Mariana numa tasca local, onde ela trabalhava. Namoraram pouco tempo e juntaram os trapinhos.
Os primeiros tempos foram difíceis, ensombrados pela doença do pai de Maurício.
Quando finalmente ele morreu Maurício herdou a terra e uma pequenina poupança no banco.
Nessa tarde de Julho vieram directamente do cemitério para a quinta.
A terra estendia-se à sua frente, amarelada de erva seca até ao Tejo.
No que restava do jardim ainda apareciam uma ou outra rosa mais teimosa, apesar da falta de rega. Numa latada perto da casa já brilhavam uns cachos de uvas pequeninas e verdes, quase abafadas pelas silvas.
A casa era pequena, de paredes de pedra e adobe. Lá dentro estava fresco.
Tinha apenas quatro divisões: a casa de fora, que servia para receber o senhor prior na Páscoa e onde as mulheres costuram nos tempos idos. Lá estava velha máquina de costura Singer num canto. A cozinha, com uma grande lareira na qual se podia entrar, preta de anos de sopas de panelas de ferro, e dois quartos pequeníssimos, com camas de ferro encostadas a três paredes.
Cá fora uma casa do forno e dois grandes anexos tinham abrigado animais e colheitas.
Não havia casa de banho.
A água saia de um poço com um motor.
A electricidade estava desligada, por isso nem puderam ver se o motor ainda funcionava.
- E agora, o que é que fazemos disto? perguntou Maurício. Vendemos?
- Não, respondeu Mariana com os olhos a brilhar. Cultivamos…
Foi uma estanha decisão para quem não distinguia uma alface de uma erva daninha, mas doze anos depois Mariana não se arrependia daquela tirada romântica.
A casa levou obras e transformou-se numa casinha rústica mas cheia de conforto.
A terra produzia agora milho e girassol para vender.
O olival foi tratado e estava de novo a produzir.
Além disso tinham uma horta que lhes satisfazia as necessidades da família e de onde tiravam hortaliça e fruta para vender a vizinhos que sabiam que ali tudo era fresco e biológico.
Havia duas vacas, que davam leite, manteiga e queijo, galinhas, coelhos, duas cabras e um burro, que Mariana salvara de morrer de fome e só servia para decoração.
Além disso havia três petizes que lhes enchiam os olhos de lágrimas de felicidade quando apareciam sujos e esfarrapados por terem andado a pescar no Tejo ou a subir às árvores, Zé, de 10 anos, Henrique, de 7 e o pequeno Vicente de um ano e meio.
Mariana era uma mulher prática, rija e maciça.
Tinha o cabelo cortado curto e a pele muito bronzeada por andar sempre no campo. Usava as unhas cortadas rentes e tinha calos nas mãos.
Andava quase sempre de calças de ganga e botins. Conduzia o tractor ou a camioneta de caixa aberta e comandava os trabalhadores de igual para igual. Maurício mantinha o seu emprego no banco para assegurar estabilidade financeira à família e a quinta era da responsabilidade de Mariana.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #3

Nesse preciso momento o seu telemóvel tocou. Era a sua irmã, Mariana. – “Maninha preciso de ti, duas semanas no mínimo, para me ajudares com os preparativos do baptizado do Vicente! E não admito um não! Deixas essa cidade cheia de poluição, vens passar uns dias comigo, aqui à quinta e regressas depois do baptizado! Larga lá essa porcaria dos cardápios e dos monitores que te queimam as pestanas, mulher!”.
Mariana era a sua versão menos polida. Igualmente inteligente e determinada mas fruto de outra educação. A vida encarregara-se de fazer com que o destino destas duas irmãs fosse o mais diferente possível. Depois do trágico acidente, na passagem de nível, que vitimou os seus pais, as duas irmãs, ainda muito pequenas, ficaram aos cuidados do orfanato da vila e lá foram felizes. Aprenderam as cores, os nomes dos animais, as letras, a partilhar e a sobreviver. Tudo estava bem e o tempo passava sem pressas até ao dia em que viram o casal Sobral pela primeira vez. Teodoro e Amélia Sobral eram do Estoril e, na impossibilidade de terem filhos, procuravam uma menina para adoptar, perfeita, inteligente, bonita e novinha, de preferência com a instrução primária por iniciar. Logo que conheceram Madalena perceberam que olhavam para a filha que nunca tiveram e as visitas foram-se repetindo. Um dia a Madre Isabel, chamou Madalena à sua salinha e, com um ar sério e profundo, disse-lhe que se deveria despedir da sua irmã porque no dia seguinte o casal Sobral viria buscá-la e a levaria para sua casa, perto de Lisboa, numa terra com praia chamada Estoril, e que lhe dariam tudo quanto é possível dar-se a uma filha.

“E a minha irmã?...” – perguntou Madalena. A madre pôs os olhos no chão, como que rendida por ouvir a pergunta que tanto receava e para a qual dar a resposta a magoava profundamente.
“A tua irmã vai ficar, Madalena. Os sobral só podem adoptar uma menina e tu és mais nova 2 anos…” – A madre não continuou. Não encontrava argumentos para justificar a uma criança de 5 anos esta escolha, nem palavras de consolo para a separação que a esperava. Só se confortava no facto de saber que os Sobral eram pessoas de bem, bem formadas e capazes de proporcionar a Madalena tudo o que ela merecia. E realmente assim foi. Teodoro e Amélia não podiam ter sido melhores pais. Nunca lhe faltou nada. Educação, roupas compradas nas mais finas boutiques de Cascais, amigas iguais a ela, longas tardes na praia, nem mesmo amor. Ainda hoje ela é o centro dos seus mundos e o único foco de atenção do culto e calmo Teodoro, médico cardiologista reformado e da doce e delicada Amélia, eterna dona de casa.
Madalena aceitou as palavras da Madre com a promessa de vir visitar a sua irmã sempre que quisesse e assim o desejasse. Claro que, embora acontecesse, essas visitas nunca foram tão frequentes como Madalena gostaria.

Mariana nunca foi adoptada. Viveu sempre no orfanato e lá se tornou mulher. De criança frágil e doce, depressa se transformou no braço direito das madres, sempre pronta que estava para ajudar, resolver, empreender. Ela limpava, arrumava e passava, mas também lia em voz alta para as madres cujos olhos já não tinham luz. Fez uma horta nas traseiras do edifício que para além de abastecer a cozinha do orfanato, ainda entretinha as crianças mais crescidas. Cantava como um anjo e era ao som das suas canções que crianças e freiras adormeciam no fim de cada dia. Um dia arranjou emprego num restaurante das redondezas e foi lá que conheceu Maurício que a levou para a quinta e lhe deu uma vida a seu lado, 3 filhos e todo o amor que é possível dar a uma mulher.


Madalena andava perdida no labirinto dos seus pensamentos quando lembrou a imagem do Joker no seu e-mail. Aquelas palavras não lhe saiam da cabeça “A sua vida não tem sentido…Espere. Tudo vai mudar.”
Deixou as águas furtadas do seu escritório num salto. Ia imediatamente falar com o director. Precisava de férias e não queria duas semanas antes do baptizado do sobrinho, queria férias a partir desse mesmo instante. – “Num escritório com 28 advogados certamente não terão dificuldade em distribuir os meus processos…”


Ainda nessa tarde Madalena deixou a auto-estrada do Norte e entrou na A23, rumo ao interior do país.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A Princesa das Letras

Apresento-vos a "Princesa das Letras". Inspirada na Princesa Letrada, ilustração de Rebeca Dautremer, ilustradora francesa e one of my favourites.

Fiz esta peça para a exposição de homenagem ao Mestre Aguiar que irá decorrer este fim-de-semana no Museu da Aguarela e onde todos aqueles que o Mestre iniciou no barro irão mostrar o seu trabalho. A mim e à Maria Rita já foi há uns anitos. Quando terminavamos a escola primária, lá iamos nós fazer barro com o Sr. Aguiar.
A Princesa das Letras perdeu um grande, grande amor e desde então dedicou-se totalmente às letras e aos livros e tem uma biblioteca com corredores infinitos e prateleiras de livros até ao céu.

Não dá para ver na foto mas ela está sentada em duas malas de viajem de pele, antigas, que representam as viajens que faz, com o seu amor perdido, através das páginas dos seus inúmeros livros. As chaves...são as chaves do seu coração, que está fechado, mas as chaves estão logo ali, à espera de serem usadas...

Desta escultura fazem parte, para além da princesa, as malas, as chaves, os livros a sério e os de grés e o candeeiro, que foi também aqui a jóia que fez e funciona e tudo!
Este é um pormenor das letras a fugir das páginas do livro a invadirem o seu vestido.
Dedico esta peça à Feridas, que é uma verdadeira Princesa das Letras.

Os Homens ficaram mais pobres e os Anjos mais ricos...

"Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio, quando quer
nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo,
para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida."

Paulo Coelho

Adeus Suzette...

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #2

Descarregou a caixa de e-mails. Sessenta e três novas mensagens.
Rapidamente seleccionou e apagou as publicidades indesejadas, os mails de conhecidos que prometiam que se não reenviase para mais vinte pessoas lhe cairia um piano em cima assim que saísse à rua e as parvoíces cómicas que não estava com a mínima paciência para ler.
Sobravam dezassete. Cinco eram respostas de colegas e clientes acerca de assuntos em curso, mais uns quantos eram notificações de tribunais vários…
Sobrava só um. Contra todos os seus hábitos abriu o e-mail apesar de não saber de quem vinha. Imediatamente o monitor apresentou uma explosão de cores, do meio da qual sobressaía um Joker vestido de vermelho.
Bolas, pensou, é mais spam, já vou ficar com o computador cheio de vírus…
Lembrou-se penosamente da última vez que tinha recebido um e-mail infectado com um dos vírus da moda. Tinha gasto uma pipa de massa a limpar o computador e perdido vários documentos importantes, que lhe custaram muitas horas de trabalho a recuperar.
Ficou a olhar para o estúpido Joker com vontade de chorar. O que será que vai sair daqui…
Sem aviso o Joker desapareceu e os slides de uma apresentação em power point começaram a passar diante dos seu olhos distraídos. Madalena respirava fundo tentando controlar o ataque de fúria que sentia a subir-lhe pela gargante. Sem querer começou a ler as grandes letras vermelhas que passavam no ecram.

A SUA VIDA NÃO TEM SENTIDO.
PARECE-LHE QUE O MUNDO NÃO A COMPREENDE.
NADA PARECE ESTAR NO LUGAR PRÓPRIO.
NÃO TEM OBJECTIVOS, NÃO ASPIRA A NADA.
NÃO GOSTA DO LUGAR ONDE MORA.
O SEU TRABALHO NÃO A SATISFAZ.
O AMOR ABANDONOU-A PRA IR PROCURAR UM NOVO AMOR.
OS SEUS AMIGOS NÃO TÊM NADA A VER CONSIGO.
Sim, sim, pensou Madalena, mande esta mensagem a sete pessoas e sai-lhe já o euromilhões…
Mas não.
No ecram aparecia uma única última imagem.
ESPERE. TUDO VAI MUDAR.

Que é isto? Tenho que apanhar ar.
Saiu discretamente do seu gabinete pequeníssimo e sem janelas e subiu ao telhado do prédio.
Era um prédio antigo, sem elevador, com apenas quatro andares e umas águas furtadas por onde se saía para uma varanda muito pequena, com vasos de plantas secas, deixados pelo último habitante das águas furtadas.
Uma velha cadeira desconjuntada jazia a um canto e Madalena sentou-se e apoiou as pernas no varandim.
Tinha descoberto aquele local há algum tempo e mantinha-o em segredo, pois usava-o para fumar um cigarro e descansar longe dos colegas e do escritório.
Dali via-se uma nesga do Tejo e os telhados de Lisboa, cheios de terraços com roupa estendida, desfraldada ao vento.
Que raio vou fazer com a minha vida?...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mas afinal...estão a brincar comigo, oh quê?!

Caro(a) Concorrente,

Muitos Parabéns por ter sido apurado para a próxima fase!
De entre todos os projectos concorrentes, faz agora parte dos 27,5% finalistas do Concurso Realize o Seu Sonho.

Hoje tem início a 3ª Ronda de Perguntas do Concurso Realize o Seu Sonho. O prazo de submissão das suas respostas decorre até ao dia 8 de Agosto, até às 23H59.
Relembramos, que deverá utilizar os seguintes browsers/navegadores de Internet (grátis e seguros): Google Chrome ou Firefox 4.0.1

Para aceder às novas perguntas:
1. Aceda ao software DreamFactory
2. Introduza os seus dados pessoais, de forma a entrar na sua Área Pessoal
3. Clique no separador Projectos e, seguidamente, seleccione o link correspondente ao Terceiro Passo
4. Depois de responder, poderá Gravar Alterações, para poder completar as suas respostas mais tarde, ou Enviar Respostas, caso tenha completado todas as questões. Relembramos que tem até ao dia 8 Agosto pelas 23H59 para enviar as suas respostas.

Com os melhores cumprimentos,
Associação Acredita Portugal


Amanhã vou esclarecer estes enganos e por tudinho em pratos limpos.
(Mas já arranjaram maneira de me provocar insónias...a torcer para que o mail errado não seja este...)

domingo, 17 de julho de 2011

Fogo na barraca!

Realmente não há nada que não me aconteça. No momento mais agitado da nossa laboração aqui em Caminha, há cerca de 2 horas atrás, o vento atiçou as brasas do forno sem que dessemos por isso, e a cabine de fibra de vidro do camião começou a arder por dentro, num sitio inacessível. Ainda tentámos partir a cabine para lhe despejarmos água dentro, mas inutilmente. Em menos de um fósforo 2 carros de bombeiros, muito heroicamente, atafulharam o Sr. Showriço Medieval numa espuma espessa e alastradora. O fogo foi emediatamente extinto mas toda a nossa barraca, mesmo toda!, ficou a boiar naquela espuma invencível, que faz qualquer festa da espuma parecer um banho de imersão quando comparado com o nosso camião.


Farinha, chouriço, bancadas, fogão, fardas e utensilios , tudo se encontra agora submerso.
Estamos tristes e derrotados. Viemos tomar um banho e esperar que a espuma se dissolva. A seguir vamos limpar tudo e por tudo a postos para abrir amanhã.

Estamos habituados a renascer das cinzas como a Fénix.

Se houver aí alguem entediado com a sua vida pode vir passar 15 dias comigo. Prometo agitação e situações imprevisíveis com fartura.

Amélia, que bem que se está no campo! - Episódio #1

O dia amanheceu quente em Lisboa. Os primeiros raios de sol da manhã serpenteiam por entre os prédios, tentando iluminar toda a cidade. Bandos de pombos organizam-se para o seu turno matinal pelas praças turísticas da baixa. O trânsito flui lentamente, obedecendo aos semáforos que, como maestros de uma orquestra, comandam uma dança gigantesca e organizada de milhares de automóveis. Madalena já deu duas voltas completas ao quarteirão em busca de um lugar para estacionar (o seu escritório tem parque mas está reservado aos administradores e a quadros de topo da firma de advogados onde trabalha), quando finalmente resolveu render-se aos parquímetros da Emel, e pagar estacionamento até à hora do almoço. Fez a habitual troca de sapatos, tirando os sapatos rasos práticos para conduzir e substituindo-os pelo modelo Prada, de tacão alto, que em tudo combinava com o tailler que ajeitou ao sair apressada sem esquecer a pasta do trabalho e a mala de pele Louis Vuitton, onde transportava toda a sua vida. O escritório de advogados Osório e Mateus situa-se no 4º andar num prédio lindíssimo, antigo mas restaurado em plena Avenida da Liberdade. Ao entrar Madalena ia despejando “bons dias” aos colegas com a indiferença de mais uma Quinta-feira de manhã. Já não suportava a mistura dos cheiros dos perfumes de quem ali trabalhava, o ambiente carregado e viciado do ar condicionado, o cheiro artificial da máquina de café ou a químicos da fotocopiadora. Tudo naquele lugar a enjoava e deixara de fazer sentido. Madalena era uma advogada de sucesso. Um caso nas suas mãos era um caso ganho em tribunal. Há muito que se habituara a não fazer julgamentos e a não questionar a razão do seu cliente. Já defendera grandes causas, como já defendera grandes empresas e grandes corruptos, abafando grandes causas. Aprendeu a viver o dia-a-dia sem o questionar, sem pensar muito sobre as coisas, sem grandes análises ou juízos de valor. “As coisas são como são e não me compete a mim mudá-las.”
Toda a sua vida estava envolta numa película de banalidade e superficialidade até aquele dia em que chegou a casa e o Pedro, com quem vivia há 3 anos, estava a fazer as malas e ia sair. Tinha-se apaixonado por uma actriz de teatro amador, doze anos mais nova e ponderava ir viver para a casa no Bairro Alto que ela partilhava com dois amigos gays.
Madalena nem queria acreditar. Nunca imaginaria o Pedro a viver com uma miúda de ideais de esquerda, com rastas no cabelo e a partilhar uma casa com dois gays. Que Pedro era este que ela não conhecia? Não era ele que se sentia atraído por mulheres de sucesso, inteligentes, sofisticadas, que apreciava a estabilidade da vida cosmopolita, as jantaradas de 4 horas com amigos exactamente iguais a ele, a discutir casos jurídicos, ratings ou cotações na bolsa? Pelos vistos não. O Pedro que Madalena pensava conhecer e até amar, não existia. Sentiu toda a sua vida desmoronar-se aos seus pés, e tudo em que acreditava era fruto de construções que fazia na sua cabeça. - “Eu estava a ponderar termos um filho, bolas!”.
Madalena não só não reconhecia o seu companheiro como não se reconhecia a si própria. – “Mas quem és tu Madalena? O resultado de uma série de circunstâncias provocadas, de experiencias académicas e sociais? És um ser sem causas e sem auto-estima que se limita a fazer o que é suposto? Mas quem és tu realmente?”- Fazia estas perguntas a si própria vezes sem conta, sempre sem obter respostas.
A sua vida não fazia o menor sentido e a pessoa em que se tornara também não.
Tudo isto foi como uma explosão na sua vida, um tsunami que passa, arrasa tudo e só deixa escombros que precisamos limpar para tornar a construir tudo de novo, e nessa manhã, no escritório, madalena ainda não sabia que, ao ligar o computador, a sua vida ia mudar para sempre.




Este é o primeiro episódio de uma brincadeira que vou fazer com a Feridas. Vamos escrever uma longa-metragem ou novela, ou série, ou que lhe quiserem chamar, por capítulos, completamente improvisada. Não temos uma história nem temos nada combinado e cada capítulo é uma completa surpresa até para nós e dá o mote para a outra criar o capítulo seguinte. Vamos ver o que dá. Na minha opinião ainda é bem capaz de dar um Óscar.


Feridas, é a tua vez. Dá-lhe gás!

sábado, 16 de julho de 2011

Direitinha p'rá Caminha

Pronto! Já me recompus daquela má notícia de ontem á noite. Chorei um bocadinho e tudo, de raiva! (Como já vos disse sou mesmo muito chorona. E choro tão facilmente de tristeza, como de alegria, de emoção ou de raiva. O chorar tira as más energias de dentro de mim.) Pensei em coisas boas, nas coisas que quero fazer, em ideias para desenvolver e a raiva foi dando lugar à paz.

Mas o que tenho para vos contar é:
Mais um fim-de-semana, mais uma voltinha no carrossel e desta vez, o Sr. Showriço está, omnipotente, em 3 lugares ao mesmo tempo: Festival SuperBock SuperRock na praia do Meco, Festival Marés Vivas em Gaia e em Caminha, mesmo na fronteira com nuestros hermanos, a norte de Portugal, numa feira medieval.
Ontem percorri meio Portugal para cá chegar (e aproveito para dizer aos senhores da Moody's que podemos ser lixo, mas somos um lixo muitaaa compriiiido e que nunca mais acaaaaba!), mas o que encontrei fez-me gritar: "Jesus! Nossa Senhora! Que esta é uma das terras mais bonitas de Portugal!"
Toda a vila se situa à beira rio (rio Minho, claro está!) e na outra margem é Espanha.
(Lembram-se do "Padlinho"? Aquele que foi pai? Quando lhe disse que do outro lado era Espanha tive de me rir com a sua observação: "Poça! Espanha é bué da glande!")
A natureza foi generosa com esta vila, mas o Homem não ficou atrás. A arquitectura é fabulosa e uma feira medieval acenta-lhe como uma luva.
O Sr. Showriço também se adaptou ao ambiente e tem como vizinhança os crepes do Mimoso, que é como quem diz o Miguel.
Estas febras são padeiras medievais.
Carlos Alves, Vedor...oh! como elas estão giras!....
E na feira, propriamente dita, vende-se quase de tudo:
chás para todos os gostos e para todos os males...
...especiarias...
(amei esta foto!)

...chocolate caseiro e artesanal...
...e até pizzas com este aspecto fabuloso.
Foi um dia intenso que terminou comigo numa operação stop da GNR a soprar no balão. Felizmente só bebi 2 caipirinhas nos nossos vizinhos "Copa na Cabana" e só acusou 0,22.
"Olhe que esta senhora condutora não pode beber mais nada hoje!"
"Fique descançado, Sr. guarda! Esta condutora vai já direitinha p'rá caminha!"

Filhos da puta...

"Caro(a) Concorrente,

Vimos por este meio comunicar-lhe que não completou com sucesso o 2º Passo do Concurso Realize o Seu Sonho.
Contudo, queremos continuar a desenvolver consigo o seu projecto, com o objectivo de o vir a implementar num futuro próximo. Continuaremos a permitir-lhe a possibilidade de continuar a usufruir da ferramenta DreamFactory, que o/a ajudará na estruturação do seu projecto, através da elaboração de um Plano de Negócios.
Gostaríamos, ainda, de partilhar com os Concorrentes um vídeo do programa 'A Cor Do Dinheiro' da RTP N, cujo tema é o 'Empreendedorismo': http://videos.sapo.pt/MZpKf9KOJm0kAZSz5QVy
Em breve, iremos divulgar workshops online grátis e gostaríamos muito de contar com a sua presença.
Obrigado pela sua participação. Esperamos contar consigo numa próxima edição do Concurso."


Agora, se me dão licença, vou para a cama dizer meia duzia de asneiras e deprimir-me um bocado. Não sei mesmo lidar com as minhas derrotas pessoais. Detesto perder. Foda-se!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

NERVOS

E a sensação dos "nervos"?
Aquela ânsia, mau estar na barriga, mãos a tremer, vaga falta de ar... joelhos sem força...
Tinha uma amiga na faculdade que na época de exames ficava tão descontrolada que o corpo se lhe enchia de manchas vermelhas, só de "nervos".
E aquela indecisão, ai, é agora, vou lá agora... não, não vou... mais daqui a um bocadinho, deixa-me só respirar mais duas ou três vezes... ai, agora é que vou. Não, não consigo... vá tem de ser...
Bolas, hoje tou chinha de nervos!...

terça-feira, 12 de julho de 2011

A princesa da minha mãe

Linda! Sonhadora, sensivel, delicada, com insónias...é assim a minha mãe. E a Princesa e a Ervilha que ela fez também. Esta vai direitinha para a minha secretária na Princess Pea, no meu escritório (quando eu tiver um escritório e uma secretária).
Tenho muito orgulho em ti, mãe querida.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Suor e banhos...

Gosto do Casal Grande mas já tinha saudades da mata do Ninhou para me arrumar os pirolitos. Hoje fui correr assim. Comprei umas sainhas de tennis para tornar a minha corrida mais feminina. Gosto de correr gira. Nunca se sabe se não encontro o homem da minha vida lá, atrás de uma espinheira, a fazer tiro aos pratos ou a fotografar borboletas e quero estar bem para as primeiras impressões. Depois fui com os três porquinhos nadar na piscina.
Hoje foi, definitivamente, o dia do suor e dos banhos...

ENA, JÁ PASSÁMOS DAS 10.000 VISITAS!

O MEU FIM DE SEMANA TAMBÉM FOI AGITADO!

Não é só à Calos que contecem muitas coisas. Os meus fins de semana também costumam ser alucinantes, por isso é que só consigo postar durante a a semana, quando consigo descansar um bocadinho no trabalho...
1º - O Pedrinho, o meu mainovo, ganhou o primeiro lugar no Concurso de Jovens Músicos Anatólio Falé, em Lagos, na categoria 6 a 9 anos, tocando marimba (que é uma espécie de xilofone gigante). Claro que eu e o papá ficámos a babar de orgulho e fomos a Lagos ver o petiz a receber um prémio em dinheiro e a brilhar no concerto dos laureados.



2º - A Mata d'Aire foi mesmo gira, apesar de ter menos entretenimento do que o costume. Eu que adoro andar aos saltos nos elásticos, este ano não tive sorte... Os escuteirinhos lá montaram a sua banca e ainda fizeram uns tostões a vender os porta-chaves e crepes. Ou seja, a minha tarde de domingo foi passada a tomar conta de vários jogos e vários escuteiros e a comer pó da mata. Aqui fica a foto da nossa construção. Bem fixe!

domingo, 10 de julho de 2011

Crónicas do Alive #4

Está feito. Mais um Alive que chega ao fim. Muita música, muita gente, muito tudo.
O palco principal lá continuou de pé durante o dia de hoje ajudado por aquelas 2 gruas que se vêem na foto.
Ainda é cedo e o trabalho árduo destes camaradas é só lá p'rás tantas, na hora do gelado em cima do hamburger. Agora limitam-se a observar as miúdas giras que vão passando.

E por falar em trabalhos árduos. Já viram o emprego deste camarada?



E deste?!...

...e deste...

Espera!... Não são as meninas da Dona Baguete de rabo tremido no carrinho a pedais?!... As marotas!... É o que dá não ter que fazer...e quando uma mulher está entediada, das duas uma: ou vai dar um giro conduzida por um puto qualquer ou vai shopping.


Eu fui shopping e comprei ...ATENÇÃO GAJAS...esta saia SAND AMSTERDAM, one size fits all (por causa das molinhas), reversível, com bolsa incorporada, e com um fecho no cós que lhe permite ter 4 combinações possíveis. Com a que tenho em casa do ano passado, são 16 combinações.

Não, não empresto a ninguém, e sim, é uma saia, não é um cinto!



Também comprei esta T-shirt maravilhosa e depois de a ter comprado não quis acreditar como é que consegui viver 36 anos sem ela.



E agora estou mesmo quase a por-me na alheta com o meu porquinho do meio.

Adeus Alive, até para o ano!