quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os Cinco e a 2ª Grande Guerra


Comprei este livro para o meu "mais velhinho" e ofereci-lho orgulhosamente, como quem dá a um filho o relógio de ouro de bolso que vem de geração em geração desde o tetra-avô que era amigo do Rei D. Carlos. A Ilha do tesouro é o primeiríssimo dessa colecção que fez de nós os adultos que somos hoje. Toda agente, mesmo toda, desde a geração dos nossos pais, leu os cinco e teve aventuras com a Zé e o seu cão Tim. Os livros dos Cinco eram o nosso tesouro da ilha, numa época em que não existiam os livros Uma Aventura, Os Sete, O clube das Chaves e outras colecções do género. Daí a minha indignação quando o meu filho me diz que não quer ler Os Cinco porque gosta é dos livros da FBI - Força Bovina de Intervenção. Claro que eu mandei-me logo para o chão num pranto interminável e quando me recompus dirigi-me à cozinha em busca da colher de pau maior que lá houvesse com o intuito de lhe deixar o rabo a arder. Mas consegui controlar-me e optei pela pedagogia.
- Jaime, senta-te aqui que a mãe vai contar-te um história muito importante!
- Óh mãe agora não que estou a ver o Phineas e Ferb!
- Este livro foi escrito em 1942 por uma inglesa chamada Enid Blyton. Sabes o que é que estava a acontecer em 1942? Estávamos em plena 2ª Guerra Mundial e milhões e milhões de seres humanos eram mortos em câmaras de gás, assassinadas famílias inteiras, milhões de crianças deixaram de ir à escola, deixaram as suas casas, foram separadas das suas famílias e foram, simplesmente, mortas!
Vou poupar-vos a minha aula sobre o nazismo, sobre Hitller, sobre os campos de concentração e vou directamente para a conclusão.
- Sabes o que é que te quero dizer com tudo isto? Que a Inglaterra e Portugal não entraram na 2ª Grande Guerra e portanto, enquanto metade da população europeia passava os seus dias a morrer, a outra metade passava os dias a matar, nós e os ingleses andávamos entretidinhos a beber cházinho, a ler "Os Cinco", a pendurar fotos de Salazar nas paredes e a coçar a micose. Portanto...lê mas é a porra do Livro!

Não sei se o convenci.
A minha mãe diz que sou uma grande tonta e não acredita minimamente no sucesso da minha pedagogia neste caso especifico.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vivi


Há 4 anos atrás foi um dos 3 dias mais felizes da minha vida: fui tri-mãe.


Ainda bem que sou uma distraída da gaita e uma despardalada que, por vezes (poucas, graças a Deus!) se esquece de tomar os contraceptivos.
Isto sem ti tinha muito menos graça, minha filha!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

FERIDAS E CALOS TAMBÉM ESTIVERAM NA NOITE DOS OSCARES




Mas as fotografias não ficaram grande coisa...

Afonso Cruz, o multifacetado.


Desde que me envolvi neste projecto  das ilustrações, a Princess Pea, que tenho conhecido pessoas incríveis. Verdadeiros artistas extremamente  interessantes, mas de uma simplicidade e humildade que em nada combina com os seus talentos. O ilustrador não é menor que um pintor em nada, antes pelo contrário pois pinta ou ilustra sujeito a um tema, enquanto o pintor é totalmente livre. Então porque é que temos os nomes dos pintores na ponta da língua enquanto a maioria dos ilustradores se mantém quase no anonimato para o comum dos mortais?  Pois, também não sei. Mas sei que para mim, os ilustradores nunca me passaram ao lado e cada vez mais os valorizo devotamente.
Há já algum tempo que tenho vontade de vos falar de Afonso Cruz que é um dos ilustradores que integra o projecto Princess Pea.  Afonso Cruz é um dos mais conceituados ilustradores portugueses tendo já na sua bagagem mais de 3 dezenas de livros ilustrados por si. Quando pedi a biografia a AC, para produzir a etiqueta que acompanham os seus produtos aqui na Princess, qual não é o meu espanto quando recebo isto:

"Escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação – às vezes de publicidade, às vezes de autor –, toca e compõe para a banda de blues/roots “The Soaked Lamb”. Em Julho de 1971, na Figueira da Foz, era completamente recém-nascido e haveria, anos mais tarde, de frequentar lugares como a António Arroio, as Belas Artes de Lisboa, o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de meia centena de países."

Sim, ao contrário da maioria dos ilustradores dos quais a biografia enche 2 páginas A4, mencionando obrigatoriamente os prémios e menções honrosas que ganharam, AC resume tudo o que melhor o caracteriza profissionalmente em meia dúzia de linhas. Fiquei intrigada e tratei logo de partir para a investigação. Cheguei à conclusão que AC tem razão. Ele faz tantas, mas tantas coisas e é tão premiado que nem uma resma inteirinha chegava para descrever todos os seus feitos e facetas.
Assim de repente:
É ilustrador e já ilustrou mais de 30 livros de variadíssimos autores, entre os quais Alice Vieira, José Jorge Letria, Margarida Fonseca Santos. Vários prémios.
É escritor e já escreveu 6 livros. Alguns prémios também.
É músico e tem uma banda de jazz/blues chamada The Soaked Lamb, na qual compõe (tudo ou quase!), escreve letras, toca guitarra, harmónica, banjo, lap steel, ukulele e canta. Essa banda também é premiada. (Quem sabe uma banda para o próximo JazzMinde?)

Como é possível tantas qualidades e tantos talentos num homem só? Será mesmo que ele faz isto tudo e tudo bem? Eu que não vou em cantigas e gosto de ter a minha opinião nas coisas comprei vários livros dele e parti para o julgamento. 

E sabem que mais? BRUTAL! Já li "O pintor debaixo do lava-loiça" e "os Livros que devoraram o meu pai". ADOREI! Uma escrita fácil e sem palha, cheia de situações insólitas e de uma criatividade gigante.

Parabéns Afonso!
Quando  Nosso Senhor distribuiu o talento, estavas mesmo na fila da frente!


O Artista

Tenho para mim que um filme francês para ganhar o Óscar de melhor filme, tem de ser mesmo MUDO!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Piso radiante

Estão 22 graus em minha casa. Estão sempre 22 graus, de noite, de dia, de Verão e de Inverno. Tenho piso radiante, o que significa que o ambiente é aquecido/arrefecido através de água que circula em tubos por baixo do chão. Essa água é aquecida usando a energia dos painéis solares.
É um sistema de aquecimento perfeito mas, como diz a Feridas e muito bem, não dá para assar entrecosto no meu piso radiante como na lareira dela.
E não é que tem razão!
Não se pode ter tudo e é bem verdade...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ADIVINHEM O QUE EU ESTIVE A FAZER ONTEM?

Uma coisa verdadeiramente insólita: estive a gravar em audio o léxico mindrico para o novo dicionário. E esta, hein? quantos de vocês já gravaram um dicionário? Ah, poizé...
Pois o novo dicionário de mindrico está no prelo (adoro esta expressão...), desta vez numa versão de grande rigor cientifico, sistematisada e com os vocábulos também escritos em escrita fonética (aquelas sinalefas que aparecem em todos os dicionários a seguir à palavra, para que as pessoas de todas as línuas saibam como se diz). E em audio!
E a nossa querida Vera achou que eu tinha boa pronuncia para gravar as palavras (não sei se isto é muito elogioso...) É o que dá conviver com a minha avó tantos anos.
O meu serão foi passado entre "abobrá, abogegá, abodelha..." Gravámos cerca de 300 vocábulos, mas ainda faltam mais de mil! Quem havia de dizer que o mindrico tinha tantas palavras.
E aprendi uma palavra que nunca tinha ouvido e que é deliciosa: CAGANIFÂNCIA. Quer dizer esquisitice.Vai entrar para a minha lista de palavras preferidas!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AH! SÓ MAIS UMA COISA

Tenho duas coisas a dizer acerca do carnaval em Mira de Aire:
1 - Infelizmente, parece que o carnaval em Mira de Aire já não é o que era. As máscaras fantásticas que se viam dantes já quase desapareceram. Espero que tenha sido por ser ainda sábado. Vamos a ver se hoje a qualidade melhora. Por outro lado, quem ganhou os prémios no Papagaio eram tudo já maiores de 40 anos. Ou seja, os miúdos não estão a dar a mesma importância ao carnaval que a geração anterior. Isto quer dizer que os carnavais fantásticos da Mira estão com tendencia para desaparecer.
2- Mais uma vez se confirma que os mirenses não conseguem dar o braço a torcer quando se trata de mindricos. Ficámos em terceiro lugar, porque não conseguiram MESMO deixar-nos fora do pódio. Quem ganhou o segundo lugar estava giro (não estava GIRO!... estava... giro) mas não tão giro como nós. E quem ganhou o primeiro lugar tinha comprado fatos reles no chinês. A única piada era que eram quarentões barrigudos vestidos de anjinho. Mas a qualidade, a originalidade e o trabalho dos fatos não tinha nada a ver com os nossos. Enfim, tantos anos depois, ainda não nos conseguem engulir... e ainda bem!

A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS

A ALEXANDRINA DAS COVANAS

DESTA VEZ...

... os homens ainda ficaram mais giros que as mulheres!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Vikings



Ontem os Vikings saíram à rua e fazendo justiça à sua fama de povo bárbaro, escandinavo, altamente violento e destruidor, tomámos conta de uma pizzeria e destruímos várias pizzas e inúmeras garrafas de rosé. ;-)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Mega-produção mãe e filho

Este é o resultado da conjugação entre um filho louco por encarnar personagens e muito teimoso e uma mãe habilidosa e com muita pachorra!
Os olhos acendem com LEDS e o respirador no peito abre e mostra um interior cheio de fios e tecnologia de ponta.
O Robot FERNANDEX! O meu filho chama-se Jaime, para quem não sabe, mas Jaime foi um nome banido pelo "Fora da Box" dos Gato fedorento e substituído por Fernando.

...e ainda hoje é Sexta-feira...e o Carnaval só acaba na Terça...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

PARABÉNS PAPÁ!!!





Ballet às quintas.

No inicio éramos 5. Agora já somos 12. Há quem tenha sido quase profissional com 18 anos de ballet e há quem só tenha andado um ou dois anos. Umas já faziam pontas outras não. Tudo crianças entre os trintas e quarentas.

Hoje é dia de fazer o jantar à pressa: uns hamburgers com arroz de manteiga.

COMEÇAM HOJE AS NOSSAS AULAS DE BALLET e estamos todas doidas de tanto entusiasmo!

Já temos o CCB marcado para o final do ano e a Gulbenkian para 2013.
;-)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Consultório do coração da Mama Calos


Hoje é dia dos namorados e, na minha qualidade de amiga porreira, resolvi dar umas dicas aos namorados mais desesperados que entram num pânico dantesco nestes dias em que, imperdoavelmente, têm de brindar a namorada com um presente qualquer. Não que o sexo masculino ligue peva ao São Valentim, mas não custa nada evitar um daqueles amuos que pode resultar num doloroso castigo de abstinência sexual.
Quero dar início a esta minha aula sobre o dia de São Valentim com uma revelação de dimensões biblicas: as mulheres também se estão literalmente a cagar para o dia de São Valentim. A evidente excitação que este dia nos parece causar não é mais que um teste à vossa imaginação e à vossa capacidade de nos surpreender. Diria mesmo à vossa capacidade de demostrarem que acreditam piamente que este dia é mesmo importante para nós.
Posto isto e depois desta confissão que certamente deitou por terra as crenças mais remotas dos vossos tempos de adolescência, podemos partir para as dicas e sugestões propriamente ditas.
Há presentes que não aquecem nem arrefecem como "bolinhas" da Pandora, objectos giros de decoração, coisas étnicas, chocolates, bijuteria de países exóticos e até flores, mas alguns presentes são absolutamente proibidos, tais como pequenos electrodomésticos, postais com música, CDs da Adele, pantufas e principalmente…peluches! Peluches JAMAIS!

Também não tentem surpreender a cara-metade com uma peça de roupa gira ou uns sapatos. Vocês não sabem escolher roupa nem sapatos. É preferível oferecerem-lhe 200€ e uma boleia ao shopping mais próximo. Se incluir jantar e cinema, perfeito.
Mas sabem do que é que o gajedo gosta mesmo, mesmo? Eu digo-vos: de roupa, malas e sapatos, escolhidos por nós, claro, de viagens (mesmo de fins-de-semana em capitais europeias!...), de vouchers de SPAS e massagens, de cremes e maquilhagens (também escolhidos por nós), de arte, de lingerie.
Esta última cai sempre bem porque cria em nós a ilusão que, aos vossos olhos e com aquilo vestido, ficamos tão boas, mas tão boas, que a Irina Shayk, comparada connosco, parece uma nazarena de bigode e pelos nas pernas.

Ah! Brinquedos sexuais e livros também são permitidos. Mas atenção, nem tudo ao mar nem tudo à terra, nunca isolados, sempre juntos. Se optam só pelo brinquedo achamos que não passamos de objectos sexuais nas vossas mãos e que nos acham tão burras como a Cátia da Casa dos Segredos, se escolhem o último do António Lobo Antunes, o efeito é contrário e sentimo-nos tão sexys como as vossas mães ou as vossas “Marias Filomenas Mónicas” particulares.
Obrigatório é o jantarinho regado com um bom vinho, muita conversa e dizer “amo-te muito” muitas vezes e com verdade!
Complicadas estas mentes femininas, hã?! Mas felizmente para vocês eu estou cá para ajudar…
Alguma pergunta mais pessoal e mais especifica poderão enviar um e-mail para consultório.do.coração.da.mama.calos@osHomensNãoPescamNadaDisto.com
Boa sorte a todos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ONTEM FOI DIA DE ACTIVIDADE COM OS ESCUTEIRINHOS



Cartas, coordenadas, transferidores, escalímetros, azimutes...

No sábado foi dia de andar a marcar um jogo de orientação para os escuteiros no vale de Alvados e em Alcaria e ontem foi dia de andar atrás dos mesmos a corrigir-lhes as rotas cada vez que se enganavam no percurso.

Estava um dia lindo, muito sol e sem frio, foi mesmo bom.

Fiquei impressionada com a quantidade de gente que se vê a passear a pé e de bicicleta por aquelas paragens, vale de Alvados, Fornea, Alcaria.Parece que a Pousada da Juventude de Alvados sempre tem algum movimento, pelo menos ao fim de semana. Aparenta ser gente que vem passar um ou dois dias a dedicar-se a caminhadas a pé ou de bicicleta, a aproveitar a nossa bela serra e parque natural.

Que bom!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hoje,...Paulo Damião!

Eu sei que já pareço o cartaz cultural de uma revista qualquer mas hoje não posso deixar de vos falar de Paulo Damião que é um mocinho nascido no meu ano (esse ano pai de tantos artistas, 1975!), nos Açores e que faz magia com tintas e pincéis.  Valter Hugo Mãe, que também é mágico mas das palavras, vê na sua pintura aquilo que os olhos não conseguem alcançar:

"O aspecto sedutor das figuras de Paulo Damião dá imediatamente lugar ao confronto com a sua qualidade espectral, um certo negrume que, afinal, radica no centro das cores mais celestiais. Parece estarmos diante de quem pertence ao inferno mas se vê aprisionado, ou exposto para humilhação, no paraíso.

Ninguém está bem no paraíso de Paulo Damião. Ninguém supera a circunstância. Diria que o modo como o pintor vê o mundo está dominado por essa troca de simbologias que faz dos lagos de água azul o novo fogo de um qualquer inferno. As figuras ficam imersas, perscrutantes, como deambulantes e sem pressa. São seres no tempo, com tempo, sumindo demasiado lentamente. Estão numa neblina constante, crepuscular, como à deriva. São pálidas e vagas, expõem uma tristeza profunda mas, expondo-a, parecem estar já para além dela. Dessensibilizados, desimportados, efectivamente vagos, em puro abandono.

O convívio com os quadros de Paulo Damião exige de nós um certo itinerário da violência. Os seus retratos são como que o resultado do gesto violento pressuposto, o gesto que já raramente a tela aborda mas que faz necessariamente parte da narrativa que contém. As figuras são como, sobretudo, animais depois, ou na eminência, do combate. Há um avulso das figuras que me sugere um lado vadio, como gente predadora e não absolutamente humana, sublinhada numa solidão bestial e intensa.

Aquela ideia de humilhação é importante para ver esta colecção de quadros. Os rostos expostos sempre estão num qualquer recolhimento que parece ser agredido pelo retrato. Existe aquela sensação que passa nas fotografias feitas aos antigos que julgavam perder a alma. Sem reacção, estas figuras têm o mesmo ar encurralado da presa que encara o pintor, o predador.
O modelo de Paulo Damião é o selvagem que, por um instante, se torna submisso. Apenas o suficiente para que a imagem surja, invasora e íntima, a partir do lugar impossível, simbolizando o mais íntimo ou recôndito, exactamente a radiografar o espectro, a roubar o espectro.

É muito bem conseguida a junção da beleza a uma dimensão angustiada da existência, diria também que é a dimensão acossada dos indivíduos, capturados em seu desvanecimento como algo desonrados. A beleza é estranha, tão inequívoca quanto alienígena, os rostos alongam-se, os olhos redondos abrem enormes, algo escapa ao natural. Estaremos perante figuras que se reconhecem entre elas mas que provocam no seu espectador a estranheza de que falava. São distintas do real e a irrealidade, ou um onirismo disfórico, será um modo claro de caracterizar o trabalho de Paulo Damião.

Digo onirismo disfórico, e não exatamente pesadelo, porque a propensão para a harmonização clássica das formas e a candura cromática parecem-me impor do lado do sonho que se procura no mais improvável, um sonho que, sendo irresistível, entristece. Tudo se faz dessa complexa vontade de capturar a atenção do espectador através das belas formas para lhe infligir a tristeza contida.

Sou há muito um grande admirador da obra de Paulo Damião. Vejo-a nesse lugar de improbabilidades. Admiro-a pelo risco, pelo desconforto e, ao mesmo tempo, pela capacidade de solicitar a ternura no limiar já da representação humana. Podíamos estar diante de deuses nos seus lagos quentes, ferozes tanto quanto cansados pelos seus combates e demasiadas responsabilidades. E gosto dessa espécie de heroicização dos indivíduos, elevados a uma condição bem mais espiritual do que o quotidiano permite mostrar. Gosto do muito belo que resulta do medo ou do inseguro, e o Paulo Damião tem sido um mestre nesse efeito. Esta nova exposição prova isso mesmo. A maravilha de um certo susto. A maravilha das coisas entendidas já um pouco pelo seu avesso."
                                                                                                       Valter Hugo Mãe


Inaugura hoje uma exposição sua no multiusos de Vila Franca de Xira.
Eu e a MR vamos para lá agora. Querem boleia?








quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

E mais que isto é Jesus Cristo, que não percebia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca.

Ricardo era médico e seguia uma doutrina baseada na tranquilidade. Não temia a morte, dominava as suas paixões e concentrava-se nos pequenos prazeres da vida. Sobrepunha sempre a razão à emoção, aceitando a ordem universal das coisas não por resignação mas por equilíbrio entre o ser e o estar. Com um realismo cruel, admitia a limitação e a fatalidade da condição humana.

Alberto, por sua vez, era um camponês quase analfabeto. Nunca escreveu prosa porque acreditava que só a poesia conseguia descrever a realidade. Poeta da Natureza, defendia que as coisas não têm um sentido nem uma interpretação. Existem e pronto. Viveu o presente sem indagar e sem questionar o futuro. Dizia que pensar é "estar doente dos olhos" e que a realidade está à vista. Assim, sem mais nada a esconder ou a revelar.

Álvaro era um engenheiro de educação inglesa. Primeiro entediou-se com as rotinas da vida, o enfado, e partiu em busca de novas sensações, "do ópio que consola". Depois deixou-se fascinar pelos ritmos mecânicos e cadentes da revolução industrial e pelos tempos modernos. E por fim rendeu-se à incompreensão dos demais e à falta de realização pessoal e fechou-se em si mesmo, angustiado e cansado.

Fernando era tudo isto e muito mais. Era um mágico das palavras. E só se faz magia com palavras quando se é todo magia.

Começa amanhã, dia 10 de Fevereiro, uma exposição na Gulbenkian dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, que pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras.

Tentem não perder!

Façam-se finos que a vida não é só gajas, cervejas e futebol!

(Ai que erudita que ela está hoje!...)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cornos e pêlos no Carnaval, mesmo sem feriado!

Há quem ache ridículo o Carnaval. As máscaras, as pinturas, as perucas e até os comportamentos excessivos. Eu aceito isso e respeito mas, como toda a gente sabe, eu e a Feridas somos completamente loucas pelo Carnaval. Adoramos encarnar personagens, os preparativos, o planeamento e a confecção das indumentárias. Mobilizamos tudo à nossa volta e, normalmente, juntamos sempre um grupo de 30 ou 40 pessoas (com filhos, maridos, amigos, filhos dos amigos e amigos dos amigos) para jantar, beber uns copos e abanar o capacete.

Com feriado ou sem feriado, o Carnaval já mexe cá em casa.

Este ano temos peles, cornos, botas, atilhos, tranças, barbas grandes e bigodes, espadas e escudos, capacetes e muito, mesmo muito, pêlo.

Quem se quiser juntar a nós, já sabe. Há sempre um par de cornos a mais para quem precisar...



Eu estou a pensar ir assim. O que é que acham?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não ganhámos o Cocó

A concorrência era imensa e por isso mesmo não ganhamos. Não ganhámos um MEGA-SUPER cabaz Cocó na Fralda repleto de tudo aquilo que qualquer mulher que se preze se baba para cima. Ele eram maquilhagens do mais rico e belo, voichers de tudo quanto é bom, jantaradas, noites aqui e ali, experiencias "A vida é Bela", roupas, sapatos, máquinas de café e até Legos e jogos de Play Station para os rebentos. Concorremos com um vídeo que foi o resultado de uma Mega-produção. Fiquem com os números:

- 278 horas de gravação,

- 98387 megas de ficheiros de gravação,

- 35000 kilowatts de potência de luz e som,

- 368 litros de chá (Kusmi...obviamente!),

- 25 kg de caviar beluga,

- 2 maças Starling,

- 23.890 fãs afastados à força do local das filmagens,

- 6 detenções de fãs mais abusivos,

- 2 autografos a fãs completamente irresistíveis,

- 16 duplos para as cenas mais arriscadas,

- 57 acidentes graves durante as gravações,

- 98 horas de workshop de desenho com a Paula Rego,

- 482 retoques de maquilhagem,

- 236 ajustes no penteado

- 972 resmas de folhas A4,

- 102 canetas de feltro pretas,

- 36 palmadas no rabo de diversas crianças que importunavam as filmagens,

- 3 algemas, 3 mordaças e diversos Xanaxs para acalmar as crianças que se encontravam no recinto das filmagens.

Por tudo isto e muito mais deveríamos ter ganho. Mas do mal o menos e tivemos direito a uma menção honrosa por parte da Cocó. (... e isto de menções de Cocó não é para qualquer um!...).

A menção honrosa pode ser vista aqui e o nosso Mega vídeo aqui.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O QUÊ? NÃO HÁ TOLERÂNCIA DE PONTO NO CARNAVAL?

Querem ver que tenho que vir trabalhar vinda directamente de uma discoteca qualquer, ainda mascarada , ressacada, com a maquilhagem a escorrer e os sapatos na mão?
Bolas, o primeiro ministro obriga-me a fazer cada figura!...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O que se passa comigo?

Sinto que não estou bem.
Este fim de semana curti a ver o Xarepa e chorei a ver os Marretas.


A Feridas diz, do alto da sua sapiência, que deve ser falta de açúcar, mas eu acho que deve ser da vesícula. Já marquei um check up.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

É em dias frios como hoje

que me custa acreditar como é que sobrevivi 36 anos sem estes tapa-orelhas de pêlo que se têm revelado imprescindíveis para me ajudar a atravessar este rigoroso e frio inverno.
E a minha Vivi também já tem uns!

CONTOS DE TODOS OS DIAS - JANEIRO

AS GALINHAS NÃO NADAM
Não foi um funeral igual aos outros, pelo menos não como estamos habituados por cá. Falou-se muito dela, muitas pessoas vieram testemunhar. Conheciam-na de pequenina, da aldeia, outras de toda a vida, que foi longa e cheia de acontecimentos.
Quatro filhos, quatro netos, trabalho no campo e na cidade, animais, galinhas, porcos, coelhos.
Sair de casa de madrugada atrás do pai, com um motor de rega à cabeça e fazer vários Kilometros antes de chegar a uma leira distante. Chegar, ver o pai a montar o motor no poço, trabalhar todo o dia na leira distante e voltar para casa ao sol poente, outra vez com o motor à cabeça. Fazer outros tantos Kilometros a pé até um apeadeiro para ir buscar a roupa suja que lhe enviava o irmão do seminário e regressar passados dois dias ao mesmo comboio para devolver a roupa, lavada e passada a ferro.
Muita gente no funeral, familiares e vizinhos de cá, amigos de lá, das obras da igreja, antigos patrões, vizinhos de outras terras.
Não houve gritaria nem carpideiras, só lágrimas furtivas de quantos gostavam dela, por entre sorrisos de recordar como foi boa, como era uma imagem de mãe, pequena, arredondada, sempre sorridente. Com aquele jeito de dizer Oh cachopa…
No fim do funeral os familiares reuniram-se em casa da irmã mais nova. Todos os filhos e os netos, muitos sobrinhos, irmãos já só três, dos nove que foram. Uma mesa grande, não parecia um enterro, parecia um casamento.
Já ninguém chorou. Apenas se recordavam as coisas longínquas, da infância, da aldeia, dos que já partiram.
A filha mais nova (já tem trinta e sete anos…) recorda a melhor história de todas.
Quando penso na mãe é sempre esta história que recordo: chovia torrencialmente e começámos a ver a água a entrar no rés do chão da casa. A mãe lá nos disse, vão à loja (ao rés do chão, na aldeia chamava-se loja) buscar uma ninhada de pintos que lá tenho. A galinha deixem-na lá, que as galinhas sabem nadar. Nós, os filhos, entreolhamo-nos, mas cumprimos.
Na loja, a água já dava pelos calcanhares, mas não havia nada que se estragasse. Os pintos, coitados, já estavam bastante molhados, com o seu ar desconsolado e imbecil, de quem não pode aspirar a nada na vida senão vir a ser uma galinha. Trouxemos os pintos para cima, da galinha nem sinal.
Bem, se a mão disse que a galinha sabia nadar…
Os pintos pusemo-los em frente ao lume, a ver se arrebitavam, mas um breve momento de distracção foi o suficiente, quando demos por ela, já um pinto estava em chamas. Parecia uma profecia bíblica do apocalipse: se não morreste pela água morrerás pelo fogo.
Se uma galinha é uma animal estúpido, o que não será um pinto, que ainda nem galinha é!
Da galinha nunca mais houve novas.
O pai nunca mais deixou de espicaçar a mãe, cada vez que ela dizia ou fazia alguma coisa estranha, logo ele lhe atirava: pois, isso deve ser como a da galinha que nadava…
A mãe suportou aquilo muito tempo, com o seu ar seráfico, mas cada vez a arder mais por dentro.
E um dia, em que de novo levou a com a história da galinha nadadora, a mãe explodiu: agora é que vais ver se as galinhas nadam ou não nadam.
Disparou como um tiro direito ao galinheiro onde entrou qual furacão, provocando um reboliço de galinhas em pânico. Agarrou a primeira desgraçada que se lhe atravessou à frente e espetou com ela num tanque cheio de água.
A pobre galinha debateu-se como pode, num espavento de água e cacarejos e nós, após um primeiro momento de estupefacção, lá a fomos salvar.
Não foi fácil, a galinha estava desvairada.
Apanhou o susto da sua vida. Salvou-se, mas nunca mais foi a mesma. Acabámos por ter de a matar, porque ficou meio demente. A mãe teve de se conformar, as galinhas não nadam.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

É DIA 2 DE FEVEREIRO E EU GOSTAVA DE ESTAR NA BAÍA



Mãe e filhas de santo na festa de Iemanjá.




Oferta a Iemanjá.




Hoje é dia 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá, a rainha do mar.

Iemanjá, também conhecida por Dona Janaína, é uma orixá do candomblé, antiga religião trazida de África pelos escravos para o ´Brasil e outras paragens da América Latina (por exemplo, para Cuba e outras ilhas das Caraíbas).

Iemanjá é a rainha do mar, é doce e mãe, mas tem acesos de raiva violentos e cegos, é vaidosa e caprichosa, como todas as mulheres, gosta que a elogiem e lhe deêm prendas.

Hoje é o seu dia, comemorado com muita força em São Salvador da Baía. Os seguidores do candomblé festejam a sua mãe, lançando ofertas de flores, pentes, comida e maquilhagem à água e cantando e dançando em sua honra.

Desde há muito que sonho ir à Baía neste dia, ver esta festa, desde os meus dias de menina e moça em que devorei todos os livros de Jorge Amado e tratava todos os Orixás por tu.