Hoje foi um dia longo. Talvez porque dormi pouco, talvez porque não devia ter bebido “aquela” última mini ou talvez porque eu adoro Segundas-feiras e anseio pela sua chegada. Foi um dia tão longo que, ao fim da tarde, ainda deu tempo para arrancar umas ervas no jardim e pôr na terra uns pezinhos de hortícolas que comprei ontem no mercado. Encantada com o rebentar da Primavera em cada ramo de árvore, lembrei-me das ervas e flores de Verão da nossa infância e das brincadeiras que nos proporcionavam. Na falta de Playstations 3 e de Nintendos 3DS até as flores e ervas serviam para nos divertirmos. E não era a fumá-las. Não! Nada disso! Era, por exemplo, a tentar adivinhar a cor de uma papoila com o clássico “Galo, galinha ou pintainho?” e fazer das mesmas pequenas bonecas de vestido vermelho e cabelo em pé. Era chupar azedas como se não houvesse amanhã (parece que ainda tenho na boca o sabor amargo daquele sumo e a ligeira dureza do fino caule…).Era percorrer, com a mão fechada, aquelas ervas dos picos para ficar com eles todos entre os dedos e depois projectá-los, com pontaria, para as camisolas dos amigos. Estas ervas dos picos, quando verdes, também faziam uns apitos fantásticos. Tínhamos ainda o cliché do “bem-me-quer” e “mal-me-quer” e a flor pom-pom que pedia que a soprássemos… Eram brincadeiras simples, puras e inocentes. Alguém se lembra de mais?

3 comentários:
E o carrapato na meia quando voltavamos da mata? E apanhar musgo pAra o presépio? E o cheio do alecrim a arder na noite de S. João? E uma picadazinha de urtiga quando andavamos a passear? E Chupar uma florzinha daquelas roxas, muito docinhas, a que chamam chuchamel (está memsmo a dizer, é para chupar o mel)? E apanhar uma rosa albardeira na serra para dar à mãe e chegar a casa com ela toda murcha (uma beleza muito efémera)? E o cheiro da verdura que punham no chão das ruas para passar a procissão? E o cheiro dos tectos de eucalipto nas festas no coreto e na praça?
ADORO ERVAS!
E a marcela? E os raminhos do dia da Ascensão? E os catos de folha miuda e verde que se esborrachavam nas pedras brancas a fingir que era pão com manteiga? E aquela tília brutal que havia no largo do Estaminé?
Melhor que tudo isto, só o cheiro do pão a sair do forno...
e as palmas e os galhos de oliveira...no Dia de Ramos...e as silvas cheias de amoras...hummm
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