quinta-feira, 6 de janeiro de 2011



Realmente, este é, para mim, o melhor livro que alguma vez foi escrito! Até parece que tenho alguma comissão nos direitos de autor (não tenho... quem me dera, pelo menos, conhecer o autor...)tal é a publicidade que faço do livro.
Até tenho uma amiga que diz que, em vez da Bíblia, devia ser este o livro nas mesas de cabeceira dos hoteis...
Não chego a tanto. Até porque essa imagem da Biblia nas mesas de cabeceira dos hoteis tonou-se um bocado perturbadora quando uma vez abri uma gaveta de uma mesa de cabeceira num hotel e encontrei um enorme... VIBRADOR!!! (daqueles mesmo reais, que parecem mesmo a sério... se é que isso é possivel, mas enfim da própria cor e feitio...). Penso que não era cortesia do hotel, acho que ficou esquecido.
Não, não o usei, não comecem já com ideias.
Mas voltando ao livro, já tinha falado com a Calos de iniciarmos uma rubrica chamada "O Livro Que Estou a Ler" aqui no blog. Eu começaria, sem sombra de dúvidas, por este livro. Não porque o esteja efectivamente a ler, já o li há muitos anos (mar de vinte...), apesar de me lembrar das personagens e dos acontecimentos quase como se o tivesse lido ontem. São episódios fantásticos, como aquele em que toda a população de Macondo começou a ser lentamente invadida por uma febre de esquecimento, iam a pouco e pouco deixando de se lembrar das coisas mais triviais da vida, até que chegaram ao ponto de ter de colar papelinhos nas coisas para se lembrarem como se chamavam e para que serviam, ou a incrivel história de Remédios a Bela, que era tão bela, que os homens morriam ou enlouqueciam só de olhar para ela, mas tão distraida e desinteressada do mundo que não dava qualquer importância à sua beleza, nem às coisas banais da existencia, como por exemplo, as roupas, então saía para a rua nua e os homens caiam para o lado à sua passagem...
Enfim, o livro corta-nos o fôlego de tanto acontecimento mirabolante e a densidade da história obriga-nos a parar de vez em quando para assimilar tanta loucura desvairada.
É inutil dizer que sou a maior fã do Gabriel Garcia Marques. Quando saiu o último livro dele (penso que será mesmo o último) Memória das Minhas Putas Tristes, eu comprei o livro e tive-o em casa durante duas ou três semanas, guardando uma espécie de temor reverencial e uma felicidade escondida, só de pensar que tinha um livro dele por ler. Depois comecei a ler só dois ou três parágrafos de cada vez, para o livro me durar mais tempo... Enfim, a minha relação com os livros é uma bocado dramática.
Mas aconselho a quem nunca leu, é o melhor livro de sempre, para mim.

7 comentários:

krasiva disse...

Também adoro este livro e todos deste autor. Gostei particularmente da biografia dele "viver para contar" que dá para perceber melhor todo o seu universo.

Anónimo disse...

Há coisas mesmo curiosas, encontrei este blogue por acaso mas logo me prendi aos estilo e ao teor da escrita que as minhas estimadas Senhoras nos presenteiam , em todos os artigos é transversal um fino humor e analise crítica reveladores de uma saudável inteligência .
Hoje descobri porque é que ganhei logo empatia com as autoras, pois é, também para mim o livro do Marquez é o preferido , li o mesmo para aí umas dez vezes.
“ um homem chamado quinta feira” ou “o homem que era/foi quinta feira” foi um livro que li há mais de 30 anos e que infelizmente nunca mais encontrei mas adorava poder voltar a ler, as minhas estimadas editoras será que me darão umas pistas para o reencontrar pois nem o titulo correcto sei?
Muito obrigado e um bom fim de semana
(Sou o anónimo que andou na terra das louras e uso bigode)

Feridas disse...

Amigo anónimo, não conheço o livro de que fala, mas gostava de conhecer. Já exprimentou a colocar o titulo no site da Fnac, ou, melhor, na Amazon? Pode fazer pesquisas só com a palavra quinta-feira, ou tuesday. De certeza que é mesmo quinta-feira? Não será sexta-feira? É que esse era o selvagem amigo do Robinson Crusoe, e penso que há um livro com o nome dele, mas também nunca li. Se encontrar diga alguma coisa, pois qualquer livro aconselhado é sempre um livro a ler.
Feridas

Feridas disse...

Já agora, obrigadinha pelos comentários. É fantástico saber que há alguém do outro lado do ecran que lê os disparates que publicamos só para nos divertirmos...

Feridas disse...

Ah, só mais uma. Não precisa de nos tratar por senhoras, nós somos pouco mais que umas crianças, principalmente a Calos que, a bem dizer, ainda nem tirou as fraldas...
Feridas

Anónimo disse...

Muito obrigado,apartir de agora chamarei ás minhas queridas editoras"estimadas meninas".
Parece-lhes bem?

Feridas disse...

Bem!
Feridas